Mãe, esposa, amiga e futura Engenheira de Produção. Fiquem à vontade no meu blog e espero que gostem. Beijinhos adocicados.
Às vezes é preciso recolher-se.

"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma
vez aquieta;
a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve
sentar-se à beira dessas águas.
Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir.
É um começo de sabedoria, e dói.
Dói controlar o pensamento, dói abafar
o sentimento,
além de ser doloroso parece pobre,
triste e sem sentido.
Amar era tão infinitamente melhor;
curtir quem hoje se ausenta era tão
imensamente mais rico.
Não queremos escutar essa lição da vida,
amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes
aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia
isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta
dificuldade
e ficamos quase sem sonhar.
Quem nos vê nos julga alheados,
quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre,
e a gente
mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro,
alegre,
feliz.
Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber
que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma
máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."

Que...
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta,
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta,
mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude,
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude,
e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou
bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim,
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim,
porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente,
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente,
ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco -
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco -
em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice,
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice,
mas sem fazer
alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas,
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas,
o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura,
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura,
o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva,
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva,
mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou,
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou,
nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável
e forte,
incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.






